À medida que nos fomos aproximando dos glaciares, o tempo foi piorando, chuva, vento e nevoeiro acompanharam-nos durante toda a viagem envolvendo as montanhas de uma forma misteriosa.

O glaciar Fox, o mais pequeno, estava sem acessos devido à subida do rio que inundou e fechou as estradas. Assim passámos a tarde num agradável café a admirar a chuva e os campos verdes desta região.
Na manhã seguinte fomos ao glaciar Franz Josef, o maior e mais carismático.
O tempo continuava bastante carregado, mas depois de tantos kilómetros, fomos lá ver o glaciar. Não tivémos qualquer hipótese de prolongar a nossa estadia aqui para podermos subir ao glaciar com bom tempo, por isso tivémos que fazer umas caminhadas até encontrarmos o sítio perfeito para tirarmos umas fotografias.

Passámos por caminhos estreitos entre floresta densa quase tropical, por pontes de madeira sobre rios cheios de água glaciar a querer fugir para o mar.

Mas a surpresa veio; o tempo começou a abrir timidamente e deixou-nos vislumbrar ao fundo a ponta do glaciar. Uma emoção!



Rapidamente metemo-nos por outro caminho para tentarmos chegar mais perto deste glaciar imponente e majestoso. Calculamos que a frente tenha uns 150 metros de altura, uma parede de gelo densa manchada pelas derrocadas das montanhas que a ladeam.

Seguimos caminho em direcção à costa Este e mesmo assim a chuva tornou-se a nossa companheira de viagem, não nos largou um segundo.
Ao fim do dia chegámos ao Parque Natural de Arthur's Pass e à vila que partilha o mesmo nome.
Aqui encontrámos 6 casas, das quais 2 cafés já fechados, um hostel e um albergue de avalanches. E foi neste último que decidimos ficar!

"Fundeámos" a nossa Queenie (a autocaravana) por debaixo de umas árvores num cantinho quase romântico e decidimos passar aqui a noite. Grelhámos umas salsichas (que comprámos na nossa primeira ida ao supermercado, no "just in case") e fizémos um arroz quente que nos ajudou a aguentar o frio enquanto jantávamos no albergue gelado. Mesmo assim, foi bem bom!



Depois da noite passada com a natureza, fomos de manhã ver as cascatas na montanha.
O trekking fez-se lentamente devido à altitude a que estávamos (tudo menos assumir a baixa forma física!), mas deu para disfrutarmos o caminho pela floresta que nos cobria da chuva.
À medida que nos iamos aproximando, além do som da água a bater ser cada vez mais forte, o spray foi-nos envolvendo juntamente com as árvores seculares. Chegámos ao topo e sentimos a força desta queda.


Depois desta molha, fizémo-nos à estrada em direcção a Christchurch onde iríamos entregar a nossa Queenie.
A chuva finalmente ficou para trás e o céu azul começou a aparecer dando origem a umas paisagens diferentes das quais tinhamos visto últimamente com rios bem mais calmos.


A chegar a Christchurch foi hora de nos despedirmos da Queenie que se portou tão bem e que nos abergou na melhor maneira, já nos sentíamos em casa com os livros nas prateleiras, quadros pendurádos e tudo!

Custou tanto despedirmo-nos desta nossa "casa" que até mesmo umas das malas quis ficar agarrada à porta! Ficou o "estendal" típico montado no parque dos carros.

Christchurch é uma cidade moderna com ruas cheias de lojinhas, restaurantes bons e hoteis contemporâneos. Foi uma surpresa encontrar uma cidade assim aqui neste lado do mundo.
Não tirámos fotografías devido a um problema técnico da nossa câmara. Fica na nossa memória...